Maio Amarelo: evolução da consciência no trânsito

por | abr 17, 2020 | Maio Amarelo | 0 Comentários

Desde o primeiro veículo aportar no Brasil, até os dias atuais, muita coisa mudou no trânsito brasileiro. Novos cenários pediram novas regras. Infrações que não existiam no início do século, hoje são corriqueiras. E o motorista, será que também mudou? 

Um dos primeiros acidentes de que se tem notícia no Brasil envolveu o poeta Olavo Bilac, e seu amigo José do Patrocínio – ambos precursores da Academia Brasileira de Letras

O referido incidente aconteceu no ano de 1901.

À época, o relato foi feito pelo jornalista João do Rio (1881-1921):

“O primeiro [carro], de Patrocínio, foi motivo de escandalosa atenção. Gente de guarda-chuva debaixo do braço parava estarrecida, como se tivesse visto um bicho de Marte ou um aparelho de morte imediata. Oito dias depois, o jornalista e alguns amigos, acreditando voar com três quilômetros por hora, rebentavam a máquina de encontro às árvores da rua da Passagem.”

Note que o carro “voava” a três quilômetros por hora

De lá pra cá, muita coisa mudou. Tem carro que faz 400 km/h.

As leis de trânsito, naturalmente, tiveram que acompanhar as mudanças.

Por que adequações foram necessárias?

As leis precisam ser criadas ou editadas toda vez que novos desafios e contextos se apresentam.

No caso das normas de trânsito, sempre que uma nova tecnologia aparece, ou alguma situação contextual precisa ser enquadrada, a legislação é atualizada.

Nem sempre dirigir usando um celular foi proibido… simplesmente pelo fato de que, antes da década de 1990, celulares não eram vendidos no Brasil.

Também não fazia muito sentido uma “lei da cadeirinha” aplicada aos primeiros carros, já que neles havia apenas lugar para o motorista e, com sorte, o carona.

Com as mudanças que vieram de 100 anos pra cá, os legisladores tiveram de pensar em como garantir a segurança de motoristas e pedestres.

A evolução das leis e regulamentações

Em 1910, o governo publicou o Decreto n° 8.324, que tinha por objetivo “facilitar os transportes no país”. 

Esse é o primeiro documento do tipo visando regulamentar o trânsito em terras brasileiras. 

No regulamento “Concessão e Construcção das Estradas de Rodagem para Automóveis”, do mesmo ano, há uma orientação curiosa, que praticamente apela ao bom senso do motorista no tocante às máximas de velocidade:

“O motorneiro deve estar constantemente senhor da velocidade de seu vehiculo, devendo diminuir a marcha ou mesmo parar o movimento, todas às vezes que o automóvel possa ser causa de accidentes. A velocidade deverá ser reduzida o mais possível […] quando atravessar caminhos ou ruas de povoados.”

Hoje em dia, esse tipo de orientação parece inaplicável.

É preciso não apenas impor uma limitação e sinalizar a via, mas também, algumas vezes, instalar lombadas e outros itens que obrigue o motorista a reduzir velocidade

Dos simples conselhos aos termos mais técnicos 

As coisas mudaram desde que os primeiros carros chegaram ao Brasil. Se antes tínhamos apenas algumas unidades de veículos em circulação, hoje são dezenas de milhões.

Governos e agentes públicos responsáveis pelo trânsito começaram a entender que precisavam ser mais precisos: tanto nas orientações, quanto nas proibições.

Em outras palavras, seriam necessárias regras mais claras, objetivas, e com punições específicas aos infratores. E também seria preciso informar, educar, conscientizar.

E foi assim que, do século passado aos dias atuais, passamos de simples conselhos, como reduza “o mais possível” a velocidade, para artigos como o 61 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB), que indica velocidades até onde não há “sinalização regulamentadora”.

Daí em diante, as normas só se aperfeiçoaram. Hoje, por exemplo, há cursos específicos para quem quer compreender melhor o trânsito e todas as suas regulamentações.

Capacete, cinto de segurança, beber e dirigir 

Dirigir sem cinto pode? 

E “pilotar” a moto sem capacete

Que tal, então, beber e dirigir?

Todas essas três situações já foram possíveis.

Como falamos anteriormente, as normas de trânsito foram sendo aperfeiçoadas na medida em que novas situações de risco iam aparecendo.

Uso obrigatório de capacete, cinto de segurança para todos os ocupantes do veículo, e dirigir sob efeito de álcool passaram a figurar de maneira mais clara no ordenamento jurídico nacional com a publicação, em 1997, do Código de Trânsito Brasileiro (CTB).

A partir de então, praticamente todas as condutas inapropriadas que colocam em risco a segurança do motorista, passageiros e demais pessoas na via, passaram a ser previstas.

Nesse sentido, o CTB não apenas normatizou aquilo que precisava ser normatizado, mas também ajudou a salvar vidas. 

Comportamento do motorista mudou?

Se as leis mudaram, a pergunta que fica é: será que o comportamento do motorista também mudou? Sim, com toda certeza.

Mas se dirigir era, no início do século passado, quase um hobbie, hoje passou a ser uma necessidade. E ninguém mais compara veículos a “carruagens milagrosas”. 

O carro agora faz parte do cotidiano: do passeio ao trabalho; do campo à cidade. E isso tem impacto direto na forma como o motorista se relaciona com seu carro e com o trânsito.

Por um lado, os motoristas estão mais conscientes. Conhecem melhor as regras que podem tornar suas viagens mais seguras; e sabem que qualquer lapso na estrada pode trazer consequências fatais.

Por outro, ainda vemos, aqui e ali, exemplos de que precisamos dar maior atenção à formação dos novos condutores: uma formação que não seja apenas técnica ou informativa, mas humana, de modo a criar uma dinâmica em que “todos cuidem de todos”.

Maio Amarelo

Neste Maio Amarelo, tradicional mês de conscientização para os perigos no trânsito, cabe repetir o alerta aos motoristas que, Brasil afora, seguem dirigindo.

  1. Muita atenção aos horários de pico nas estradas, mesmo que a movimentação esteja menor em função das quarentenas
  2. Mantenha uma direção defensiva, pensando não apenas na sua segurança, mas na de todos que estão na via.
  3. Jamais combine álcool com direção: se for dirigir, não beba

#MaioAmarelo #Icetran #DireçãoDefensiva