Maio Amarelo: o que eu e você temos a ver com isso?

por | maio 6, 2015 | Maio Amarelo | 0 Comentários

Maio AmareloDurante o mês de maio realiza-se em muitas cidades brasileiras e também em algumas de paises vizinhos uma grande mobilização em defesa de um trânsito seguro e previsível denominado MAIO AMARELO.

Essa iniciativa, genuinamente brasileiro, veio na esteira dos bens sucedidas campanhas mundiais na área de saúde conhecidas como Outubro Rosa (combate ao câncer de mama) e o Novembro Azul (combate ao câncer de próstata).

Mas porque Maio Amarelo para combater a violência no trânsito se isso não é uma doença?

Bem, o que equivocadamente chamamos de “acidentes de trânsito” (que de acidental não tem nada) pode não ser uma doença convencional do organismo e tão pouco transmitida por vírus ou bactéria. Mas pelo seu alto grau de morbimortalidade pode ser considerado um gravíssimo problema de saúde pública e que exige todo o arsenal de combate normalmente utilizado pela área médica como, por exemplo, vacinas (campanhas de orientação e ações preventivas), tratamento específico, raído e eficaz (educação +fiscalização + punição) e acompanhamento permanente, para evitar “recidivas”!

E porque o mês de maio?

Bem, porque foi nesse mês, exatamente no dia 11 do ano de 2011, que a ONU lançou um pacto mundial, assinado por mais de 190 países, denominado DÉCADA DE AÇÃO PELA SEGURANÇA NO TRÂNSITO 2011 – 2020, com a audaciosa meta de reduzir em 50% as mortes e lesões provocadas pelo trânsito.

E se ainda cabe mais uma pergunta que mereça uma resposta razoável é: Porque a cor amarela?

Simplesmente porque, no trânsito, o amarelo é a cor da advertência e da atenção.

O MAIO AMARELO pode ser considerado, portanto, como um legítimo movimento internacional de prevenção e conscientização para redução da violência no de trânsito, que pretende reduzir essa tragédia previsível – e por isso mesmo evitável – que mata todos os anos mais de 50 mil pessoas nas ruas e estradas brasileiras, deixando um gigantesco exército de sequelados irrecuperáveis.

Se ainda há alguma dúvida sobre a importância desse movimento, pare e pense quantas histórias tristes voce já viveu, ou conhece, envolvendo mortes e ferimentos provocados no trânsito. Se voce – por um alento divino – não tem uma história pessoal, certamente tem amigos próximos ou conhecidos que não tiveram a sua sorte…

Por isso, não podemos negligenciar nem virar as costas para esse fenômeno. Porque se há algo absolutamente democrático na vida é a fragilidade e a vulnerabilidade humana. No extenso rol de vítimas da violência sob rodas encontramos princesas, atletas famosos, artistas populares e personalidades públicas mundialmente conhecidas que se igualam com centenas de milhares de anônimos e seus familiares na dor e na tristeza.

Assim, é preciso que cada um de nós se empenhe para que seja possível colocar na pauta das ações de governo, da sociedade civil e dos meios de comunicação o tema trânsito, de forma corriqueira durante todo o ano, mas, especialmente, durante o mês de maio, funcionando como um verdadeiro pedido de socorro.

E o que cada um de nós, individualmente ou como integrante de qualquer instituição pública ou privada podemos fazer?

  • Em primeiro lugar ter a consciência de que a locomoção das pessoas – seja como pedestre, ciclista, passageiro ou condutor – exige regras de conduta que, em última análise, visam a segurança da circulação e a proteção da vida de cada um de nós.
  • Exigir das autoridades públicas da cidade onde vivemos atenção, eficiência e agilidade em suas responsabilidades no trânsito.
  • Contribuir com atitudes pessoais que privilegiem a segurança nas ruas e estradas do país.
  • Sugerir e promover um calendário de ações públicas de sua instituição e/ou comunidade que estimule e valorize o respeito, a prudência, a atenção e o cuidado no trânsito, priorizando a conscientização de toda a sociedade no lugar da simples repressão.

Tenho a esperança de que o esforço individual de cada um de nós e coletivo de toda a sociedade, em conjunto com iniciativas das autoridades comprometidas com a vida, possam contribuir para reverter os altos índices de mortes e sequelas no trânsito brasileiro.

Precisamos reconhecer que o estado sozinho é impotente. E acreditar que não será por omissão ou por falta de iniciativa da sociedade civil que a realidade brasileira no trânsito deixará de ser transformada. Como diz o slogan da DÉCADA DE AÇÃO PELA SEGURANÇA NO TRÂNSITO 2011 – 2020. Juntos, podemos salvar milhões de vidas!

Artigo escrito por:
Fernando Pedrosa
Especialista em Prevenção e Segurança no Trânsito
Professor e Coordenador do ICETRAN no estado do Rio de Janeiro

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