Direção preventiva = menos acidentes

por | nov 19, 2015 | Direção Defensiva | 1 Comentário

Direção preventiva, menos acidentesA necessidade de trabalhar com os condutores para um comportamento mais seguro no trânsito é de fundamental importância quando se veem grandes problemas relacionados a acidentes.

Estimam-se, no Brasil, mais de 40.000 mortes no trânsito anualmente, esse grande número ocorre de forma preocupante. Embora não se saibam os motivos que levam a esse número elevado, o desrespeito à legislação é com certeza o fator primordial, porém, o comportamento individual nas funções de motorista não pode ser desconsiderado.

Os métodos educacionais, hoje utilizados para a formação de condutores, podem induzir os novos motoristas a pensar que a direção veicular é simples e fácil. Entretanto, não é, pois a maior parte dos alunos que buscam a primeira habilitação apresentam poucos sinais de comprometimento com a segurança no trânsito. Essa mudança de pensamento depende muito da iniciativa de mudança do instrutor, uma vez que é imprescindível mostrar ao aluno que a finalidade do curso é aprender a pensar nas leis e nos riscos que o trânsito oferece diariamente, e não exclusivamente para ser aprovado em um teste.

Dentro das disciplinas apresentadas, a direção defensiva é uma das que expõem as relações comportamentais. Apresentam-se as situações de riscos de acidentes ao condutor, passageiros e pedestres bem como esses podem ser evitados ao conduzir um veículo automotor.

Com o passar do tempos, a direção defensiva progrediu a fim de que se evitassem muitos acidentes, porém a terminologia defensiva leva a segmentos relacionados à sociedade violenta, em que ganha quem é o melhor.

A aplicação da terminologia preventiva poderá trazer para o trânsito um novo conceito de comportamento, compromissado com a responsabilidade, a segurança e a harmonia, tornando-o mais seguro e mais justo. Assim, durante a instrução pedagógica, será mais fácil estimular o desenvolvimento da segurança de trânsito na forma de prevenção.

Na conjuntura atual brasileira, é necessário que se faça uma alteração nos métodos pedagógicos que se têm aplicado aos ensinamentos da educação para o trânsito, uma vez que a forma que se apresenta provém de uma política da revolução industrial brasileira, em que se buscaram fórmulas em países desenvolvidos, com o intuito de proteger os metalúrgicos dos acidentes, na produção industrial. Com isso, herdou-se o sistema denominado “Defensive Drive Course”, sendo traduzido para o português, de forma corriqueira, como direção defensiva.

Com o advento do Código de Trânsito Brasileiro (Lei 9503/97), essa nomenclatura foi introduzida ao novo sistema e transcrita como disciplina obrigatória para candidatos à primeira habilitação (Carteira Nacional de Habilitação) ou cursos de reciclagem para condutores infratores.

A esse respeito, um novo conceito deve ser apresentado direcionando-o à educação com valores como a dignidade humana, a igualdade de direitos, a participação na sociedade e por fim o princípio da responsabilidade pela vida social. 

A alteração do adjetivo “defensivo” para o preventivo, em princípio, ajuda a eliminar o símbolo da necessidade de defesa, que tanto se vê como forma natural de aprendizado da nossa sociedade. As pessoas convivem com a insegurança pessoal, assaltos, crimes os quais representam individualmente uma questão social da vida urbana.

A implantação da “Direção Preventiva” conotará com a realidade mais próxima aos quais os órgãos normativos de trânsito propõem, convidando as pessoas a compartilharem suas ideias, propondo a educação, o bem estar, o respeito ao próximo em nome do bem comum, sabendo cumprir deveres e obrigações dentro de uma coletividade, inibindo com isso o conceito de agressividade, ou seja, a defesa, independentemente das ações das outras pessoas ou condutores.

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Autor do Artigo:

Antenor Cirtoli
Pós-Graduado em Meio Ambiente, Gestão e Segurança de Trânsito.

1 Comentário

  1. Paulo Botelho

    Um excelente artigo, escrito por um grande PROFISSIONAL. Parabéns professor e amigo, Antenor Cirtoli.

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